Existe uma frase que diz: Tudo
Passa! Mas e até passar?
Finalizo essa
disciplina com muita gratidão em meu coração, e me sentindo privilegiada em
chegar até aqui nessa reta final, não como alívio de terminar a disciplina, mas me sentindo
privilegiada em concluí-la. Não foi fácil para mim, confesso. Ao mesmo tempo
foi desafiador e saio com a sensação de vitória por tudo que consegui vencer aqui dentro. Precisei me esvaziar muitas
vezes, para preencher o vazio do que achava que sabia e também de reconhecer minhas
limitações e inabilidades.
Finalizando esta
disciplina, e o que levo comigo vai muito além de conteúdos ou conceitos
isolados, trago, sobretudo, um deslocamento na forma como compreendo a incorporação das tecnologias digitais na educação, não como ferramentas apenas, artefatos,
acessórios, mas como elementos estruturantes das práticas pedagógicas e
investigativas. Mais do que aprender sobre tecnologias educacionais, fui
provocada a repensar o meu lugar como docente e pesquisadora em um cenário cada
vez mais complexo, dinâmico e exigente, lembro que usei essa palavra no
primeiro dia de aula, "provocação", no sentido de reflexão interna mesmo.
Ao olhar para o meu próprio percurso, reconheço que foi um processo intenso. A disciplina exigiu muito de mim em termos de leitura, participação, reflexão e produção. Nos momentos de PBL e nas construções do e-portfólio (blog), busquei me envolver de forma comprometida, ainda que, em alguns momentos, tenha sentido o peso das demandas e a dificuldade de aprofundar tudo o que gostaria. Considero que consegui desenvolver um olhar mais crítico e articulado, mas também reconheço que poderia ter explorado ainda mais algumas discussões e tensionado com maior profundidade determinadas questões. Se pudesse refazer esse percurso, talvez me permitisse mais tempo de maturação das ideias, porém sempre vamos achar que se pudéssemos recomeçar faríamos diferentes do que fizemos, porém afirmo e reafirmo, dei o melhor de mim, diante de tudo que estou vivendo nos bastidores (cada um sabe (e Deus) o que vive e passa).
Em relação à disciplina, considero que sua estrutura e proposta metodológica foram bastante potentes. O uso do PBL favoreceu a autonomia, o protagonismo e o pensamento crítico, embora também tenha trazido desafios, especialmente no que se refere ao ritmo e à necessidade constante de autogerenciamento. Os temas abordados foram extremamente relevantes e atuais, dialogando diretamente com as demandas da educação contemporânea. Realmente não sei quanto tempo um professor leva para criar uma estrutura desse nível, cuidar tão bem, planejar, organizar uma disciplina com tanto esmero e cuidado, confesso que nunca tive uma experiência assim em toda minha vida, de fato, nunca experienciei nada igual, nem em graduação, nem em curso de especialização, e até mesmo no mestrado. Viver isso no doutorado em ensino foi um presente, me senti privilegiada e desafiada, como relatei anteriormente. A proposta da construção individual e coletiva, de compartilhamento e de todos envolvidos e participando, aprendendo com as trocas, foi incrível.
Sobre a atuação do Professor Dr. Fernando Pimentel, é impossível não reconhecer o seu alto nível de domínio, a profundidade teórica e a capacidade de provocar reflexões consistentes. Trata-se de um professor extremamente inteligente e sábio, com um repertório vasto, cuja condução da disciplina evidenciou rigor, seriedade e um compromisso real com a formação dos estudantes.
Eu já conhecia o professor Fernando por ter sido meu coorientador no mestrado, há 13 anos, na FAMED, embora não tenha sido sua aluna naquele momento. Desde então, já tinha clareza da sua exigência como professor e hoje reafirmo: ele não está errado, nunca esteve. Sua postura faz jus à sua trajetória, construída com esforço, mérito e dedicação, que o levou a um patamar elevado como pesquisador e professor doutor da UFAL. Por isso, sua atuação se mostra necessária, indispensável, incomparável e, acima de tudo, admirável. É um professor que tem o dom da docência e tenho orgulho de encontrá-lo em minha trajetória acadêmica (mestrado e doutorado) e participar da minha formação.
Em alguns momentos, senti necessidade de uma mediação mais próxima embora reconheça que o professor sempre esteve disponível e acessível. Muitas vezes, a distância partiu de mim, por insegurança diante das minhas próprias limitações acadêmicas, especialmente no campo das tecnologias digitais no ensino. Não saio como entrei e isso, sem dúvida, é o que há de mais significativo em todo esse percurso. Quero construir práticas que integrem as tecnologias de forma crítica e com sentido, sem perder o olhar para o humano, para o sensível e para a realidade dos meus alunos. Não é só sobre incorporar a tecnologia, é sobre como e para quê.
Saio com mais perguntas do que respostas e, sendo bem sincera, acho que isso fala muito sobre a força dessa disciplina. Nem tudo ficou fechado, organizado, pronto em mim e nem na disciplina e talvez nem tivesse que ficar (quando falo isso, é no sentido de não finitude). O que ficou mesmo foi uma inquietação, daquelas que fazem a gente continuar pensando mesmo depois que a disciplina acaba. O que eu podia ter feito de melhor? O que irei fazer a partir de agora como professora?
Finalmente, como tudo na vida, a disciplina passou,
mas, ao mesmo tempo, não passou. Ficou. Ficou nas ideias, nas inquietações, no
jeito de pensar e, principalmente, no que ainda continua reverberando em mim, em nós, alunos(as).
Deixo essa frase como gratidão ao professor Fernando: Professores afetam a eternidade. É impossível determinar onde termine sua influência (Henry Adams). Obrigada professor, por tudo.

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