Durante
essas duas semanas sem aula, considerando o nível de exigência do doutorado, esse
tempo não foi exatamente um tempo de descanso, pelo contrário, foram dias
intensos, ainda que de forma mais silenciosa.
Aproveitei também esse período para
reler minha dissertação do mestrado, (tem relações com Tecnologias de Informação
e Comunicação e Tecnologias Digitais) o que acabou sendo um exercício
importante de revisitar minha própria trajetória acadêmica. Ao mesmo tempo,
mergulhei em leituras densas, que não só exigiram esforço de compreensão, mas
também provocaram inquietações (até agora).
Essas leituras trouxeram
preocupações, muitas reflexões e, principalmente, uma mudança de olhar sobre
alguns temas que eu já considerava consolidados. Foi um processo que ampliou
minha percepção, mas que também gerou certa sobrecarga, tanto intelectual
quanto emocional. (e ainda não terminei). Acho que esse intervalo acabou sendo menos sobre pausa e mais
sobre aprofundamento, às vezes desconfortável, mas necessário. E ainda não
conclui minhas três laudas, estou tensa, principalmente porque minha apresentação será o último PBL.
Sobre os dispositivos digitais no ensino aprendizagem, percebo que a questão vai muito além de enxergá-los apenas
como ferramentas facilitadoras. Tais dispositivos tem ambiguidade. Por um lado,
eles aproximam com acesso ao conhecimento, ampliam possibilidades e tornam o
aprendizado mais dinâmico. Muitos materiais na atualidade só chegam com
essa agilidade devido o meio do digital. Por outro, também percebo o quanto eles
fragmentam a atenção (me refiro cognitivamente).
As leituras propostas no PBL me
fizeram questionar a ideia de tecnologia como algo automaticamente
benéfico, mostrando que seu uso está atravessado por questões sociais,
cognitivas e também emocionais. Assim, o PBL não só trouxe respostas, mas também ampliou
minhas inquietações, o que, de certa forma, reforça o quanto o tema exige um
olhar crítico e contínuo.
Há alguém que, mesmo na ausência do
encontro presencial, não entrou em repouso, entrou em movimento. Como na
reabilitação, começou com pequenos avanços, mas logo já sustentava múltiplos
exercícios ao mesmo tempo, três, para ser mais preciso colocados à prova e
expostos ao olhar atento de quem orienta. Entre ajustes, retornos e novos
testes, foi afinando o próprio percurso, como quem escuta o corpo antes de
decidir o próximo passo. Cada devolutiva parece ter reorganizado não só o
caminho, mas também a forma de enxergá-lo, dando mais clareza ao que antes
ainda era rascunho. O maior desafio já não parece ser iniciar o movimento e sim
escolher qual direção sustentar, diante de tantas possibilidades que agora se
abrem, parece que essa pessoa agora está respirando tranquilamente.

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